Todos os dias,
eu entro em carros, ônibus, viagens curtas ou longas,
e entrego minha vida, inteira,
nas mãos de alguém que eu não conheço.
E curiosamente,
é com esse desconhecido
que eu me sinto mais segura.
Porque ele não carrega história comigo,
não carrega promessas quebradas,
não carrega o peso do que eu já ouvi,
do que já senti,
do que já temi.
Ele apenas dirige
e eu confio.
E aí penso nas pessoas
que caminharam anos ao meu lado…
essas que deveriam ser abrigo,
mas às vezes são tempestade.
É estranho perceber
que o tempo não garante confiança,
que a convivência não garante cuidado,
e que, às vezes,
quem mais conhece a gente
é quem mais machuca
sem perceber.
Enquanto isso,
um completo estranho segura o volante
com mais firmeza
do que muita gente segurou a minha mão.
E eu sigo assim,
entre rotas, ruas e destinos,
aprendendo uma verdade silenciosa:
a confiança não mora no “há quanto tempo”,
mora no “como me sinto agora”.
E se for pra entregar minha vida,
que seja a alguém que, mesmo sem me conhecer,
não carrega motivo nenhum
pra deixá-la cair.
Créditos na imagem de capa: IA do Google
Wivila Pereira
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História da Historiografia: International
Journal of Theory and History of Historiography
ISSN: 1983-9928
Qualis Periódiocos:
A1 História / A2 Filosofia
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