Todos os dias,

eu entro em carros, ônibus, viagens curtas ou longas,

e entrego minha vida, inteira,

nas mãos de alguém que eu não conheço.

 

E curiosamente,

é com esse desconhecido

que eu me sinto mais segura.

 

Porque ele não carrega história comigo,

não carrega promessas quebradas,

não carrega o peso do que eu já ouvi,

do que já senti,

do que já temi.

 

Ele apenas dirige

e eu confio.

 

E aí penso nas pessoas

que caminharam anos ao meu lado…

essas que deveriam ser abrigo,

mas às vezes são tempestade.

 

É estranho perceber

que o tempo não garante confiança,

que a convivência não garante cuidado,

e que, às vezes,

quem mais conhece a gente

é quem mais machuca

sem perceber.

 

Enquanto isso,

um completo estranho segura o volante

com mais firmeza

do que muita gente segurou a minha mão.

 

E eu sigo assim,

entre rotas, ruas e destinos,

aprendendo uma verdade silenciosa:

a confiança não mora no “há quanto tempo”,

mora no “como me sinto agora”.

 

E se for pra entregar minha vida,

que seja a alguém que, mesmo sem me conhecer,

não carrega motivo nenhum

pra deixá-la cair.

 

 

 


Créditos na imagem de capa: IA do Google