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Adriano Menezes: Lugar errado

lugar errado

 

o sangue está guardado
pra ela. quando me ignora
olho pros meus canos
nervosos – hibernação
de vulcão. tanto, que fumo-a.

 

memória é estado de vapor,
fumaça! só os pulmões servem
nessa joça de corpo – sem vocação
para flor – vou antes como promessa
de improviso cavalgar o anticógito.

 

o lugar errado é onde vivo
o erro. onde estou vive

o dia fantasma 
a desenhar a silhueta
, mas o que o espírito quer 
é o corpo caçado, o seu inimigo –

verbo para mim é relar sem onde.

 

 

 


Créditos na imagem: O abandono, ou Vertumnus e Pomona, ou Sakountala, 1905 (mármore).

 

 

 

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