Caneta de Espinhos

 

Escrevo

porque sangra.

 

A caneta

não desliza.

Corta.

 

Cada palavra

é espinho.

Veneno.

 

Cravado sem cuidado

no papel

e em mim.

 

Escrevo

porque ninguém escutou

quando ainda dava

para falar baixo.

 

O que escrevo

fica.

 

Não há metáfora segura.

Não abraça,

não cura,

não pede.

 

O texto nasce sujo,

com resíduos

que não deviam estar ali.

 

Carne exposta

vestida de verso.

 

As frases

não pedem passagem.

Arranham.

Infectam.

 

Algumas feridas fecham.

A marca, não.

 

Apodrece

à vista.

 

Quem escreve

se fere sozinho.

 

Quem lê

encosta na lâmina

e chama de poesia.

 

 

 


Créditos na imagem de capa: Inteligência artificial do Google (Gemini)