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Ensaio

CULTURA, ECONOMIA E O UNIVERSO DA ARTE: A COSMOLOGIA DE TUDO O MAIS NO BRASIL PÓS-REAL.

Em recente obra “pos-mortis”, o uspiano Afonso Celso Pastore, institucionalista, enfant gaté de economia na Fundação De Economia da Faculdade estabelecida por Delfim Neto, ex-ministro do planejamento do governo militar na ditadura do Brasil, o autor da obra, que acompanhamos neste artigo, quando era mais que dileto discípulo do então decano da Universidade de São Paulo, narra a história da negociação da dívida brasileira.

Com efeito, após a bancarrota que levou ao calote e a posterior renegociação, em 1987 – com a possível quebra dos financiadores da dívida externa brasileira, financiada durante a década de 1980, considerada a década perdida, no seu livro, Afonso Celso Pastore afirma que o plano de rolagem da dívida externa, tratado na reunião com o representante Brady, do Clube de Roma, por sua vez representante do tesouro norte-americano, era o caso de notar que a maior parte dos débitos estava a serem rolados, pelo que deixou claro o livro de Pastore (aliás, para lá de instrutivo), fazia deste o assunto da chamada evidência empírica sobre os assuntos econômicos em meio a miríade de planos de estabilização a “pipocaren” à época como uma marca auge do pós-modernismo.

Tais planos, o Bresser, o verão, o cruzado, variegadamente, sob diversos matizes após as tentativas teóricas, umas heróicas, vez ou outra, seguidas por tragédias, neste país até a consolidação do regime de metas de inflação, tornando-se cronicamente inviável, após a maxi-desvalorização de 1999, que quase sufragou a experiência hoje vitoriosa de controle inflacionário, uma nota importante tem surgido na experiência institucional brasileira: que é a seguinte; será que a consolidação de uma república democrática, por instituições capitalistas, as quais, com a consolidação das fases da democracia, sintomaticamente, por meio de estatização monstruosas de dívidas colossais podem nos fazer questionar os rumos da cultura, embora, democraticamente, se possa desenvolver a democracia, aqui e alhures?

A pergunta trata-se de como a política vêm diuturnamente, acompanhada de tendências, prestes a serem aprisionadas pelos setores de mercado, os tais “vícios privados, benefícios públicos”, livro para lá de conhecido por outro economista daquela instituição, Eduardo Gianneti da Fonseca, em que a questão, se numa negociação econômica de início, como salientado no livro de Pastore, fica claro que desde aquela época, as propostas de estabilização, até a elaboração do plano real de André Lara Resende e Pérsio Arida, foi-se consolidando, cada vez mais sob a roupagem do institucionalismo. Assim, a Universidade de São Paulo, quando um de seus epígonos, Eduardo Gianneti da Fonseca cunhou tal termo, o qual se, por um lado, somente poderia vir entre aspas, por que aí nota-se um modernismo retinto, encampado no setor público, cuja garantia por meio da unidade nacional, traz a cena uma mesma hipótese, típica do atual triunvirato em sincronia a obra do arquiteto da renegociação da dívida externa após a década perdida, em que, sendo a Pontifícia Universidade Católica, Universidade de São Paulo e a antiga Universidade do Brasil, hoje a Universidade Federal do Rio de Janeiro, se o que parecia

Atualmente, filósofos e cientistas falam daquela época – que já nos deixou – mais em fim da consciência histórica e das ideologias, ou morte do sujeito e crise da razão humana, do que de Renascimento, Revolução Francesa e Iluminismo. No entanto como se percebe pela análise dos termos envolvidos no conflito entre modernidade e pós-modernismo, não se trata apenas de mais uma querela epistemológica envolvendo filósofos e críticos literários isolados na academia. Destacamos, a seguir, alguns aspectos críticos com relação ao mundo moderno e que podem ser considerados como pressupostos das formas de expressão do pós-modernismo cultural: (I) a crítica ceticista das noções de verdade e “ser”; (II) contestações de todo tipo a concepções de conhecimento supostamente fundadas em noções de realidade e objetividade, parâmetros que funcionaram como nortes epistemológicos na orientação de qualquer pesquisa tida como científica desde a “revolução” na física do século XVIII; (III) a negação, por princípio, de qualquer possibilidade de se sustentar valores ético-culturais fundados em construções de consensos universais, esperança que esteve implícita no desenvolvimento das matrizes teóricas mais influentes da era moderna, como o marxismo e o liberalismo clássico.

Além disso, ou melhor, sustentando-se em algum grau nas conclusões a que chegam as teses da cultura pós-moderna, sem me ater a ocorrência dos bárbaros acontecimentos do século XX, avultam-se ainda as hipóteses gêmeas do fim da modernidade e da progressiva emergência de um mundo pós-moderno, que devem ser levadas em conta. Esta hipótese teórica fortíssima insinua-se entre as manifestações da cultura pós-moderna, sendo a mesma a que me interessa mais de perto neste texto. A ela foi atribuído o nome de pós-modernidade, estando presente em trabalhos de incontáveis estudiosos da sociedade contemporânea que concebem o período recente, desde o último quartel do século XX, como anos que marcariam o limiar histórico a partir do qual a humanidade teria ultrapassado a fase de sua existência histórica vivida nos marcos das instituições sociais e categorias de pensamento pós-tradicionalistas da “modernidade”.

Teríamos adentrado, então, num período histórico tão mais radical nesta destruição e re-elaboração das tradições que somente poderia ser pensado nos termos de uma perspectiva teórica antagônica a qualquer tentativa de cristalização dos conhecimentos e das práticas sociais em visões de mundo mais estáveis e coerentes sobre os fenômenos históricos.

Em recente obra o economista Brasileiro mais renomado, que foi Celso Furtado, vemos que a macroeconomia deste período moderno, de queVargas era o artífice, “avant-la-lettre”, fora elaborada, conquanto a isto a que neste ensaio relato, por ficar mais claro ao relembrar da ocasião da Reunião da Organização das Nações Unidas, por ocasião portanto, da criação da CEPAL como um órgão destinado a combater o atraso da periferia.

Desde 1948, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe, abarcou tal problema que vínhamos acabando de tratar, dado que, para a América Latina, a instituição, que fora criada por obra de Prebisch, desde a Argentina, enquanto ministro da Economia no Governo de Domingos Perón, por ser advindo de tais instituições, esperou até que Celso Furtado lhe desse contornos propriamente políticos. Com efeito, ambos os livros tratam de uma questão econômica que esteve na ponta de lança do desenvolvimento do capitalismo através das décadas pelo menos até a formação do plano real no Governo de Fernando Henrique Cardoso em 1994, tendo como ministro da economia, Plano Malan, que desde 1991 era o negociador brasileiro depois de Afonso Celso Pastore, o qual, como vínhamos tratando no ensaio, ensaia no seu livro retomar o período em que fora presidente do banco central brasileiro no governo de João Figueiredo em 1962-1963.

Se Celso Furtado, junto de Afonso Celso Pastore, tendo incorporado tal desiderato, o da planificação econômica pela ótica do Estado Institucionalista, em adequação a pergunta, sobre se a respeito de que, se pelo discurso econômico dos economistas, se poderiam encampar tais propostas, até chegar ao plano real, sempre seguindo fossem as instituições infundidas de informação, sobre o mundo real, me parecera, que, em ambos os teóricos, especialmente ao que parece ser o que ocorreria com Furtado, semelhantemente ao que para Vargas lhe afigurava em agosto de 1951, já como que por um mesmo viés, o da necessidade de um pacto da classe industriosa e do trabalho, tratam-se de seriamente questões espinhosas, já que, o que parece ser a marca de uma realidade distante da modernidade, quando pensamos na ação ativa do ente público, de tal modo, algo que teria haver com a modernidade, hoje não era possível alcançar, a não ser nada menos que uma crítica “tout-court”, do estatismo, pelo liberalismo, se não entendêssemos que o que leva laconicamente, após o fim da ditadura Varguista, em todas as áreas da economia, a inserir o capitalismo na perspectiva contrária, agora aquela vigente no mainstream econômico, Afonso Celso Pastore, o faz por advogar um tipo de conhecimento cuja metódica apreensão das categorias científicas se fazem de forma abstrata, totalmente dependente do viés empírico da demonstração do fato econômico.

Assim, em recente obra “pos-mortis”, o uspiano Afonso Celso Pastore, institucionalista, “enfant gaté” de economia na Fundação De Economia da Faculdade estabelecida por Delfim Neto, o seu discípulo, autor da obra, de quem foi aluno e a quem acompanhamos neste artigo, o que estamos dizendo sobre a cultura pós-moderna desde o início da tentativa de estabilização do cruzado, com Sarney e, o então negociador da dívida brasileira – após a bancarrota que levou ao calote e a posterior renegociação, em 1987 – com a possível quebra dos financiadores, seria que o que se concebe com o plano de rolagem da dívida externa, na reunião com o representante Brady, do Clube de Roma, sob a óticado “stablishment”, até o controle inflacionário gerar bem-estar ao cidadão comum brasileiro, onde os chamados profetas da modernidade, são interpretados por uma operação cultural modernista, parecem resumir a toda a noção econômica de inovação ao cerne da concepção de cultura.

Não que haja, para o autor da obra Caminhos e Descaminhos da Inflação no Brasil, numa suposta tergiversação como a salientada acima, sempre que se possa atestar a falência de algum projeto político, aquando da modernização do seu povo, através dos costumes da vida, ou seja, quando o homem comum, diante do que se vê atualmente, segundo a lógica acirrada da “guerra hobbesiana de todos contra todos”, mas que este estado natural, numa economia carreada por agentes externos de comércio exterior, jamais pensará o tal cidadão que, não apontar o que, se o que está em questão é seu interesse, a cultura possa fugir ao esquema dominante do pensamento único. Neste sentido, a questão inicial levantada neste trabalho procurava saber o seguinte: o mundo que abriga estas formas de pensamento é pós-moderno em algum sentido, ou permanece dominado e explicável pela moderna categoria de capital? Este trabalho buscou recuperar alguns dos aspectos que foram centrais para esta re-estruturação (principalmente a partir de 1970), do mundo sócio-econômico contemporâneo, tentando estabelecer algumas relações possíveis com sua dimensão cultural e político-ideológica em que domina a pósmodernidade e suas teses de crise dos “grandes relatos”, dos pensamentos fundados no “ser” e das estratégias de planejamento.

Tomando como referência, para analise do conceito de pós-modernidade, as caracterizações da modernidade estruturada até aqui, perguntamos: o que leva pensadores a acreditar na emergência de um mundo radicalmente novo? Anunciar o fim da história? Do sujeito, das ideologias, da noção de verdade e até mesmo do capitalismo industrial nos dias de hoje? No campo da política, o conceito de pós-modernidade costuma ser elaborado partindo da suposta experiência social de “fim das utopias” e das “grandes narrativas”. Os filósofos iluministas pretendiam controlar o mundo pelo conhecimento humano da natureza e da sociedade, tendo como fim o progresso de todo o gênero humano. Projetos políticos foram elaborados a partir desta crença na capacidade racional do homem por liberais e comunistas, cada qual à sua maneira, mas eis que se difunde, atualmente, a aceitação social de uma práxis desesperançosa com relação à realização de quaisquer ideais de sociedade e humanidade. Partindo do pressuposto de que o reconhecimento de que as contradições do mundo contemporâneo inviabilizaram os projetos políticos concebidos ao longo dos tempos modernos (o liberalismo capitalista e a sua alternativa proletária), bem como as narrativas culturais também desenvolvidas neste período (por exemplo, a dos filósofos iluministas do século XVIII), o atual fenômeno “pós-moderno” estaria ligado com a chamada “crise da modernidade”, momento que estaria trazendo a necessidade de se refletir sobre as experiências históricas vividas durante a era moderna, para avaliar o que aí estava equivocado. Para alguns, a pós-modernidade seria exatamente esse estado de reflexão, enquanto que para outros, a crise atual expressaria mais que isto, quer dizer, estaria tornando perceptíveis as deficiências e impossibilidades dos pensamentos e instituições modernos em superar os desafios da contemporaneidade.

Apesar do período de relativo equilíbrio e vigoroso crescimento das economias de mercado no mundo desenvolvido que caracteriza a “Era de Ouro” do capitalismo, o modo de produção capitalista passou por pelo menos duas crises sócio-econômicas gerais e prolongadas no século XX. Antes disto, duas grandes guerras mundiais explodiram trazendo consigo os horrores “anti-humanistas” do fascismo, e tanto na União Soviética como em todo o Leste Europeu e Ásia menor, a economia planificada, em uma versão burocratizada e totalitária, que entrou em colapso no espaço de sete décadas. Assim, tanto os sistemas políticos modernos de inspiração liberal, como os de raízes socialista-burocráticos, entraram em crise e teriam inviabilizado, de um ponto de vista pós-moderno, as utopias da modernidade. Como uma “vingança da história”, as narrativas culturais elaboradas na modernidade também teriam seguido o mesmo destino de crise ao longo destes acontecimentos sociais e políticos, deixando expostas às fraquezas da racionalidade moderna que sustentavam aquelas utopias. Desta forma, a crise da modernidade expressar-se-ia, tanto à direita como à esquerda, pelo esgotamento dos valores modernos antes tidos como realizáveis e pela falência dos pressupostos de um racionalismo vinculado a uma presumida Razão capaz de determinar a realidade no pensamento, para assim transformá-la segundo seus fins. Paradoxalmente, o prefixo componente do termo “pós-moderno” não pretenderia denotar qualquer tipo de novidade numa “História” que se desenvolveria linearmente por progressos e superações. Ao contrário das modernas consciências históricas (que pressupõem narrativas de progresso e de superação em uma direção qualquer), quer significar a dissolução da “História” como curso unitário e universal dos eventos contemporâneos, numa multiplicidade de histórias específicas e de dinâmicas distintas. A força das “teorias pós-modernas” encontrar-se-ia em sua adequação ao caráter pós-histórico da existência social contemporânea, na qual ter-se-iam multiplicados os centros produtores de história e corroídas as bases reais para a construção de uma História (universal), o que talvez seja o maior dilema das propostas econômicas quando estão em perspectiva histórica.


REFERÊNCIAS:

ASSIS, Machado; The Posthumous Memoirs of Brás Cubas\ Barueri: Editora Camelo:2025

Assis, Machado. O alienista. Editora Itatiaia.

Assis, Machado. Ed. Antofágica, 2021.

Furtado, celso. Diários Intermitentes. São Paulo, Companhia das Letras, 2019

Pastore, Afonso Celso. Caminhos e Descaminhos da Estabilização. Editora Portfólio: 2021.


Créditos na imagem de capa: Convento da Penha. Símbolo da fé católica no Brasil.

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