“Meu nome é Ozymandias, rei dos reis;
Contemplai as minhas obras, ó poderosos e desesperai-vos!
Nada mais resta: em redor a decadência
Daquele destroço colossal, sem limite e vazio
As areias solitárias e planas se espalham para longe”.
(Ozymandias, Percy Shelley)
vã vaidade vazia,
vitupérica
colérica
quimérica
fruto de carnificinas egoístas
egóicas e metafísicas
rapto de si e dos outros
produto de um modelo fordista
sadista
ininterrupto
vertiginoso
veloz
atroz
desigual
feral
produção que visa a destruição
desiderato
desídia
desejo
desastre
criatura, estendo a minha mão
de modo a tocar
e preencher o vazio da criação,
mas o abismo me olha
qual abismo?
o abismo metafísico abissal
o eu metafísico abismal
de repente…
resta-me o silêncio
a minha incompletude
e a minha existência
observo e verso astre
sastre, me faço,
desfaço e refaço
teço e urdo a tessitura
é estio
tempo da semeadura
contemplo a musa
sem usura, sem bravura
devir
vir
ir
sigo o conselho
não-ser
estar-sendo
antes de ser, existo.
“Call me Ishmael”.
Créditos na imagem de capa: Keversson William Silva Moura
