HH Magazine
Poesia

Devir

“Meu nome é Ozymandias, rei dos reis;

Contemplai as minhas obras, ó poderosos e desesperai-vos!

Nada mais resta: em redor a decadência

Daquele destroço colossal, sem limite e vazio

As areias solitárias e planas se espalham para longe”.

(Ozymandias, Percy Shelley)

 

                                  

vã vaidade vazia,

vitupérica

colérica

quimérica

fruto de carnificinas egoístas

egóicas e metafísicas

rapto de si e dos outros

produto de um modelo fordista

sadista

ininterrupto

vertiginoso

veloz

atroz

desigual

feral

produção que visa a destruição

desiderato

desídia

desejo

desastre

criatura, estendo a minha mão

de modo a tocar

e preencher o vazio da criação,

mas o abismo me olha

qual abismo?

o abismo metafísico abissal

o eu metafísico abismal

de repente…

resta-me o silêncio

a minha incompletude

e a minha existência

observo e verso astre

sastre, me faço,

desfaço e refaço

teço e urdo a tessitura

é estio

tempo da semeadura

contemplo a musa

sem usura, sem bravura

devir

vir

ir

sigo o conselho

não-ser

estar-sendo

antes de ser, existo.

Call me Ishmael”.

 

 

 


Créditos na imagem de capa: Keversson William Silva Moura

Related posts

Colombina

Tadeu Goes
6 anos ago

O Caminho

Will Lopes
3 anos ago

Machine: A máquina do samba, o síndico da Sapucaí.

Tadeu Goes
4 anos ago
Sair da versão mobile