This is an exceptional book! It reclaims for the humanities the right to affect, dreaming, and incompleteness. In an era of hyper-professionalized academia and increasingly standardized scholarly writing, this is an intellectually courageous and important gesture. I do like that the book operates at the intersection of theory of history, autobiographical essay, hauntology, postcolonial reflection, and affective literature. What emotional and conceptual intensity! The book creates a form of historical writing that does not separate theoretical reflection from existential experiences of loss, memory, dreaming, and inherited violence. It is interesting that, at times, it is stronger as literature than as theory of history.
The book moves between biological dreaming, psychoanalytic dream experience, dreams as epistemic practice, dreams as figures of imagination, dreams as hauntological experience, and dreams as political category. As a result, “dream” sometimes becomes an excessively metaphorical concept, leaving open a number of discussions about its epistemological status. Is the dream a source of knowledge? A metaphor? An aesthetic experience? An ontological rupture? The book seems to suggest all of these possibilities at once. These questions reinforce just how thought-provoking the book is. It is a fantastic book.
Sobre Sonho e História, de Thamara Rodrigues por Ewa Domańska
Este é um livro excepcional! Ele reivindica para as humanidades o direito ao afeto, ao sonho e à incompletude. Em uma era de academia hiperprofissionalizada e de escrita acadêmica cada vez mais padronizada, trata-se de um gesto intelectualmente corajoso e importante. Gosto muito de como o livro opera na interseção entre teoria da história, ensaio autobiográfico, hauntologia, reflexão pós-colonial e literatura afetiva. Que intensidade emocional e conceitual! O livro cria uma forma de escrita histórica que não separa a reflexão teórica das experiências existenciais de perda, memória, sonho e violência herdada. É interessante que, em certos momentos, o livro seja mais forte como literatura do que como teoria da história.
O livro transita entre o sonho biológico, a experiência onírica psicanalítica, os sonhos como prática epistêmica, os sonhos como figuras da imaginação, os sonhos como experiência hauntológica e os sonhos como categoria política. Desse modo, “sonho” às vezes se torna um conceito excessivamente metafórico, deixando em aberto algumas discussões sobre o seu estatuto epistemológico. O sonho é uma fonte de conhecimento? Uma metáfora? Uma experiência estética? Uma ruptura ontológica? O livro parece sugerir todas essas possibilidades ao mesmo tempo. Essas questões reforçam o quanto ele é instigante. Trata-se de um livro fantástico.
Créditos na imagem de capa: capa livro “Sonho e história” de Thamara Rodrigues
