HH Magazine
Poesia

Solilóquio de outono

 

Eu corrompo noites de junho

Apodreço em lençóis perfumados

Viro, indago e tergiverso

O sumo acerbo do silêncio

Minhas teses andejam trôpegas

Meus por quês cavalgam soltos

Derreto palavras sem sentido

Esbarro em pecados avulsos

Ignaro feito um seixo

Lábil feito um girino

Diz-me, oráculo dos néscios

O que há por trás da porta?

O que existe além da janela?

Quem me trouxe até este lugar?

Acalma-te, filho amado

Diz o oráculo complacente

Um dia, tu vais saber

Um dia, tu vais entender

Por enquanto

Tenta dormir

Apenas dormir

É tudo que te é dado ter.

 

 

 


Créditos na imagem: Divulgação. Tempo Abstrato. Foto: Chronosfer.

 

 

 

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