A psicanalista Adriana Cajado Costa[1] (1971-2012) realizou estudos relevantes sobre as possibilidades terapêuticas do manejo da música na clínica da psicose. Neste ensaio recupera-se as principais hipóteses por ela formulada a partir do trabalho de escuta nos ateliês de música[2]. Através desta pesquisa buscou confirmar a tese de que é preciso perceber a criança como um sujeito, sem glorificar a loucura em que ela foi aprisionada, pois “somente um olhar que a diferencie pode fazer com que ela se perceba numa unidade e singularidade” (COSTA, 1998). Seus estudos partem da mitologia grega e avançam sobre a teoria psicanalista consolidada sobre tema. Recuperar estes estudos, além de uma homenagem póstuma, revela-se necessário em tempos de negacionismo e obscurantismos hodiernos.
Na mitologia grega Euterpe era considerada a musa da música, traduzindo paralelo entre a história da criação das musas da arte e a expressão dos sentimentos humanos. Segundo esta tradição, Euterpe é uma das musas geradas pela união de Zeus com Mnemósine, relação que durou nove noites e nove dias consecutivos. Após um ano, nasceram as nove musas da arte.
Mnemósine remete à memória e dela nascem as outras musas, denominadas e representadas, na época grega clássica, como, Clio: História; Calíope: Poesia Épica; Érato: Lírica Coral; Euterpe: Música; Melpômene: Tragédia; Polímnia: Retórica; Tália: Comédia; Terpsícore: dança; e, Urânia: Astronomia.
Como o objeto deste ensaio são os ateliês de música[3] destaca-se a influência de Euterpe como a musa relacionada à expressão dos sentimentos musicais humanos. Inventora da flauta, é representada tradicionalmente como uma jovem coroada de flores, tendo às mãos seu instrumento e ao seu lado papéis de música, oboés e outros instrumentos[4].
Recorrendo ao Dicionário de Símbolos de Juan-Eduardo Cirlot (1984), tem-se a explicação sobre como é importante estar atentos para a memória que a criança tem de suas experiências e como as integra com seus sentimentos ao se expressar:
O simbolismo, com sua conexão com a expressão (e ainda com a representação gráfica) da música, o temos em evidência na arte primitiva dos sons, com frequência imitativa até o literal de ritmos e movimentos, de gestos e inclusive de formas animais. Pelo sistema análogo podemos encontrar a transposição do expressivo ao simbólico. (CIRLOT; 1984, p. 398)
Segundo Adriana Costa (1998) é justamente esta ligação que é interessante. A arte origina-se da memória, na busca de enfrentar a morte, de encontrar sentido na existência, ou melhor, dar sentido a ela. Assim, pode-se pensar sobre o material clínico fornecido pelo sujeito infantil psicótico através da sua expressão quando em contato com a música, e inferir sobre até que ponto se deve escutar e intervir de forma a auxiliar o indivíduo na busca pelo bem-estar, pois a cura já fica para além disso, e o seu sentido também.
Este texto é fruto de estudos iniciados por Adriana Costa no final da década de 1990 abordando a escuta analítica em universo musical, como manejo no tratamento de crianças diagnosticadas psicóticas (COSTA, 1998). Os métodos da pesquisa psicanalítica orientaram seus questionamentos com investigações por meio de pesquisa off-line, isto é, tendo por meta levantar hipóteses a partir do que Jacques Lacan (1966) teorizou, e designou, como pesquisa e escuta discreta.
A escolha por compreender a criança psicótica pelas teorizações de Jacques Lacan presentes nas experiências de Maud Mannoni (1971, 1981, 1995), justifica-se pelo olhar intersubjetivo que a mesma traça na sua clínica do sujeito infantil psicótico. Desta forma, tem-se uma matriz clínica da psicose e sua dimensão analisável, ou seja, seu aspecto transferencial, diferenciada daquela freudiana, mas que obedece a pressupostos teóricos psicanalíticos.
A reflexão acerca da loucura sempre causou inquietações nos diferentes campos do saber[5]. Contudo, permanece nos dias atuais dificuldades marcantes no que se refere à inclusão de pessoas diagnosticadas psicóticas ao convívio social. Esta exclusão mascarada, ou seja, esta dificuldade em incluir, aponta para o contexto em que se configuram as representações e olhares para a loucura. A sociedade atual, dita hipermoderna (LIPOVETISKI, 2004), busca a perfeição e adaptação a todo custo. Com isso, se nega a olhar e aceitar a diferença. O que a criança “psicótica” necessita é um olhar de respeito, amor e aceitação. Olhar que traduz uma subjetividade reivindicando o surgimento de um novo sujeito. A criança quando se reconhece neste olhar intersubjetivo alcança a possibilidade de advir enquanto sujeito capaz de realizar-se.
Segundo Adriana Costa, são poucas as clínicas ou instituições que desenvolvem um trabalho conjunto em relação aos problemas globais do desenvolvimento infantil. Já em relação às patologias psiquiátricas no indivíduo adulto tem-se inúmeros hospitais psiquiátricos. Hospitais estes que estão em crise, mas ainda hoje presentes e atuantes. Estes lugares destinados ao aprisionamento destas pessoas portadoras de tais problemas não proporcionam uma reorganização interna do paciente e muito menos externa, no que se refere à ressocialização. Observa-se que a indústria farmacológica se apresenta como única alternativa de tratamento nos casos que a dificuldade financeira reina. Portanto, se no universo adulto o tratamento merece ressalvas, deve-se pensar melhor sobre nossas crianças.
Por conseguinte, observa-se a escassez de tratamentos adequados e uma escuta analítica pouco fundamentada. Pode-se falar, afinal, de um sujeito infantil psicótico e de uma escuta analítica diferenciada e direcionada para tal sujeito? O título deste ensaio mereceria, assim, ser transformado em uma interrogação.
O Sujeito Infantil Psicótico
O sujeito da psicanálise é o sujeito constituído a partir da relação com o Outro. Mas o que é ou do que se trata este Outro? No Dicionário Enciclopédico de Psicanálise: o legado de Freud à Lacan (1996), tem-se a seguinte conceituação:
Se num primeiro tempo o Outro é o lugar do tesouro dos significantes, num segundo tempo vai se instituir a subjetivação em que a falta vai implicar o desejo. De fato, o grande Outro é a própria referência do simbólico. (p.386)
A constituição de um sujeito saudável se dá pela via do registro do simbólico, permeado pelas interlocuções com o real e o imaginário. Quando o significante primordial que dará acesso ao simbólico é forcluído, forma-se a estrutura psíquica psicótica. O significante Nome-do-Pai, na vida psíquica da criança exerce função de um olhar diferenciado em direção a linguagem e assim adquire status primordial na constituição do sujeito por meio da relação com o Outro.
Com a forclusão todo um processo é interrompido e um outro caminho é percorrido. Durante a pesquisa sobre o sujeito infantil psicótico e seu possível tratamento em ateliês de música, pôde ser percebido que um novo olhar sobre esse sujeito deveria ser implementado. Nas publicações e entrevistas recuperadas e vasculhadas sobre o tema em tela, algo sempre aparece de forma recorrente: aquele que se denomina de ‘psicótico’ requer um outro tipo de relação clínica. Uma relação na qual seja visto como nunca o foi, como sujeito diferente do outro; uma unidade que pode advir em demanda: colocá-lo no lugar de sujeito, até que um dia isto possa ser percebido por ele. Para tanto, deve-se recorrer a um manejo que o propicie ser visto como sujeito e que lhe demande uma demanda. Adriana Costa desenvolveu várias pesquisas, até 2012, procurando responder indagações pertinentes a este tema complexo tema (COSTA, 2000; 2006; 2009). Neste ensaio, ela se debruça sobre indagação impulsionadora específica: como implementar uma escuta que reflita, como no estágio do espelho, uma unidade no sujeito psicótico?
A Outra Cena
Quando se busca por meio da arte aproximar a estrutura psicótica da expressão humana, tenta-se com isto recuperar o simbólico que foi interditado. Tem-se a inserção de ateliês de arte como manejo do tratamento em algumas instituições conhecidas e que fornecem atendimento adequado a crianças com problemas globais de desenvolvimento. Esta iniciativa surgiu no ano de 1968, na França, com Maud Mannoni na Clínica de Bonneuil, e se ampliou no Brasil com o apoio de algumas instituições: o CPPL (Centro de Pesquisa em Psicanálise e Linguagem) em Pernambuco; a Pré-Escola Terapêutica Lugar de Vida na Universidade de São Paulo e os trabalhos desenvolvidos em Porto Alegre pelo psicanalista Alfredo Jerusalinsky na direção do Centro Lydia Coriat. Tais instituições embasam suas atuações na psicanálise e apontam para esse novo olhar intersubjetivo em direção ao sujeito infantil psicótico.
Maud Mannoni (1995), apoiada nos estudos de seu marido e psicanalista Octave Manonni, nos fala da criação como a capacidade de repetir o evento perturbador numa Outra cena e assim produzir a posteriori[6] uma nova relação com a história passada. Esta Outra cena, pode ser compreendida como uma disposição psíquica em que se pavoneiam as imagens, acolhendo o fantasiar e o sonho (O. MANNONI apud M. MANNONI, 1995, p. 47). Aliado a isto, encontra-se em Freud referência pioneira no seu Estudo Autobiográfico (1925); obra na qual pontua no movimento do artista a necessidade de um valor de troca e compreensão, reivindicando a presença de outrem. Todo este processo pode então ser entendido em Mannoni quando afirma:
Assim, a violência inicial de uma vivência, tomada num trabalho posterior de simbolização e luto, consegue colocar-se em palavras, efetivando o desempenho cultural que Freud atribuía ao brincar na criança. (MANNONI, 1995, p. 22)
Dito assim, não há como não mencionar um paralelo com a experiência da escrita, como uma experiência em Outra cena, vivida pela psicanalista Nicole Berry descrita em seu artigo A Experiência de Escrever (1996). Escrita que forneceu subsídios para ir ao encontro de sua verdade, possibilitando à paciente encontrar, também, a sua. Por meio de um Terceiro – a escrita – introduziu-se a Lei no espaço relacional, dual, abrindo caminho para a elaboração. Nicole Berry estava tendo muita dificuldade em atender sua cliente. Quando tentou entender o que estava acontecendo, pensou em escrever o caso num artigo. Ao fazer uso deste Outro espaço, Berry conseguiu entender, a posteriori, o que estava acontecendo e assim pôde dar continuidade ao trabalho analítico.
Maud Mannoni, em seu livro Amor, Ódio, Separação (1995), relata a respeito da vida de uma grande escritora, Edith Wharton, que sofria de solidão e de um profundo sentimento de estranheza. Sempre atemorizada por um fantasma, relata ter conseguido livrar-se deste problema somente quando começou a escrever sobre histórias assustadoras de fantasmas. Mannoni conclui:
(…) foi ao passar, ela mesma, a escrever histórias de fantasmas que se tornou possível uma cura, contra o pano de fundo de uma verdade histórica esquecida. Se a construção delirante pode afigurar-se numa tentativa de cura, a transposição de uma angústia de viver, de um trauma, para uma Outra cena, através da escrita, tem um efeito libertário. (MANNONI, 1995, p. 14)
O Ateliê de Música
Ao pensar sobra a conceituação de Octave Mannoni sobre a Outra cena, descrita acima, pôde-se pensar num paralelo com o ateliê de música. Ao realizar tal analogia, todo o processo de investigação acerca da escuta analítica neste espaço é valorizado, pois a regra fundamental da psicanálise não é totalmente respeitada neste universo e assim a escuta flutuante, como contrapartida, merece maior fundamentação.
Assim, seguindo a direção apontada por Adriana Costa, tem-se que fazer a seguinte interrogação: A escuta analítica pode ser um dos focos escolhidos de manejo para compreender a dinâmica analítica em ateliês de música, como um dos espaços possíveis a propiciar a construção de uma Outra Cena? A música, neste contexto, vislumbra o campo simbólico, forcluído na psicose, e pode possibilitar uma inserção do sujeito infantil no universo da linguagem?
Ao percorrer o caminho teórico traçado pôde-se perceber que o tratamento analítico em ateliês, não só de música, empreende um olhar diferente, e consequentemente, uma escuta diferenciada e atenta à demanda do sujeito infantil psicótico. Para Adriana Costa, tal escuta proporciona à criança um espaço simbólico de reorganização psíquica, de um olhar de reconhecimento subjetivo e de mapeamento simbólico de traços fundamentais.
Na psicose infantil temos a forclusão do significante primordial, o que faz com que o Traço Unário e o Ponto Zero da Significação permaneçam ocultos e inacessíveis. Estes elementos são responsáveis pelo campo simbólico no qual o sujeito adentra quando a linguagem se faz presente. Para recuperá-los, Alain Didier-Weill (1997) propôs o trabalho com a música e o seu elemento intraduzível, a invocação musical e a pulsão invocante que está no campo simbólico.
A invocação musical nos remete ao momento anterior a linguagem, no qual a criança recebe da relação com a mãe os subsídios necessários para o desenvolvimento da palavra. Desenvolvimento que só se faz possível com a introdução de um terceiro nesta relação dual, a função paterna, constituindo, assim, a relação triangular. Esta invocação está intrinsecamente conjugada com a pulsão invocante e se constitui como algo que perpassa o sujeito antes mesmo da linguagem advir, sendo ela a responsável por fornecer as bases que possibilitará a palavra. É na musicalidade da voz da mãe, segundo Didier-Weill, que a criança começa a compreender do que vai se tratar a linguagem.
Portanto, como conclui Adriana Cajado, “perceber esta criança como um sujeito, não significa glorificar a loucura em que ela foi aprisionada, e sim perceber que somente um olhar que a diferencie pode fazer com que ela se perceba numa unidade e singularidade” (COSTA, 1998).
NOTAS
[1] Adriana Cajado Costa, CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/0004359484697739
[2] Texto finalizado após o falecimento de Adriana Cajado Costa (2012). Homenagem póstuma
[3] Caso da Pré-Escola Terapêutica Lugar de Vida (USP), como também, a Clínica de Bonneuil na França; ambas fazem uso de ateliês de arte como intervenção no tratamento de crianças com distúrbios globais do desenvolvimento. Este ensaio aborda a intervenção em ateliê de música no tratamento do sujeito infantil psicótico como espaço da transicionalidade, tendo em vista a a noção lacaniana de constituição do sujeito.
[4] Anónimo. Mármol blanco, 148 x 81 cm: https://www.museodelprado.es/coleccion/obra-de-arte/la-musa-euterpe/69e806af-c3dd-4b3e-bf09-e5f30b722a2a
[5] Como referência clássica indica-se Michel Foucault na obra A história da loucura (1995).
[6] Laplanche e Pontalis conceituam este termo como “experiências, impressões, traços mnésicos que são ulteriormente remodelados em função de experiências novas, do acesso a outro grau de desenvolvimento. Pode então ser-lhes conferida, além de um novo sentido, uma eficácia psíquica” (Laplanche, 1992, p. 33). Em carta de Freud à Fliess, datada de 06/12/1896, encontra-se: “… estou trabalhando a hipótese de que o nosso mecanismo psíquico se tenha estabelecido por estratificação: os materiais presentes sob a forma de traços mnésicos sofrem de tempos em tempos, em função de novas condições, uma reorganização, uma reinscrição”. Esta reinscrição pode ser melhor compreendida quando Laplanche aponta para a concepção freudiana da qual vê este a posteriori como o modelo da vivência que não pôde agrupar-se a um contexto significativo, por ter sido um acontecimento traumático. Há uma reelaboração das experiências traumáticas num novo tipo de significação, quando um acontecimento novo o permite, seja ele uma maturação orgânica ou uma nova situação que engendra um novo tipo de significação.
REFERÊNCIAS
BERRY, Nicole. A experiência de escrever. In: Boletim de Novidades Pulsional. Centro de Psicanálise. Ano IX. Nº88, agosto de 1996.
CIRLOT, Juan-Eduardo. Dicionário de símbolos. São Paulo: Moraes, 1984.
COSTA, Adriana Cajado. A análise do sujeito psicótico na instituição psiquiátrica. São Luís: EDUFMA, 2009.
COSTA, Adriana Cajado. A escuta em Euterpe: um manejo ao encontro do sujeito infantil psicótico. São Paulo, Mackenzie, Monografia (TCC) – Graduação em Psicologia, 1998.
COSTA, Adriana Cajado. Arte e psicose: uma Outra cena na linguagem. REVISTA CEUMA PERSPECTIVAS – ANO XII, vol. 15 (jul/set) – p. 11-38. São Luís: EDICEUMA, 2006.
COSTA, Adriana Cajado. Uma Leitura Flutuante dos Diários de Nijinsky. Monografia de Especialização. São Paulo, PUC, 2000.
DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE PSICANÁLISE: O legado de Freud á Lacan. Rio de Janeiro: Zahar, 1996.
DIDIER-WEILL, Alain. Os três tempos da lei: o mandamento siderante, a injunção do supereu e a invocação musical. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.
ESTILOS DA CLÍNICA. Dossiê: a psicanálise e a educação em Bonneuil. Ano III. Número 4. 1º semestre. USP: Instituto de Psicologia, 1996.
ESTILOS DA CLÍNICA. Dossiê: psicoses e instituição. Ano I. número I. 2º semestre. USP: Instituto de Psicologia, 1996.
FOUCAULT, Michel. História da loucura. 4. Ed. Estudos. São Paulo: Perspectiva, 1995.
FREUD, Sigmund. Um estudo autobiográfico (1925). Vol. XX. Rio de Janeiro: Imago, 1988.
LACAN, Jacques. Écrits. Paris: Le Seuil, 1966.
LAPLANCHE, Jean. Vocabulário da psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
LIPOVETSKY, Gilles. Les temps hypermodèrnes. Paris: Ed. Grasset. 2004
MANNONI, Maud. A criança, sua “doença” e os outros: o sintoma e a palavra. Rio de Janeiro: Zahar, 1971.
MANNONI, Maud. A Primeira entrevista em psicanálise. 12. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1981.
MANNONI, Maud. Amor, ódio e separação. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.
Créditos na imagem de capa: (The Muse Euterpe, 1782 ) Johann Heinrich Tischbein. Disponível em: https://www.meisterdrucke.pt/impressoes-artisticas-sofisticadas/Johann-Heinrich-Tischbein/590760/A-musa-Euterpe,-1782.html
Alexandre Fernandes Correa
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