Foi numa tarde de domingo.

Não esperava sair de lá

Tão feliz como saí.

Naquele dia,

O sol brilhava, mas

Não fazia um calor insuportável.

O céu era azul,

Mas nuvens teimosas

Se espalhavam como quem avisa

Que nem tudo é eternidade.

 

Entrei na fila ansiosa

Porque queria te ver.

Você estava no terceiro andar,

No último quarto daquele corredor —

E eu, sorridente, fazendo bagunça,

Mostrava logo que

A barulhenta tinha chegado.

 

Fui recebida com um sorriso

Que nunca tinha recebido antes.

Entrei perguntando,

Com a inocência de quem crê:

“Quando vamos pra casa?”

E seus olhos brilharam.

Pedi a bênção pegando tua mão,

Que já não estava inchada como antes.

Sorri. Fiquei feliz.

Muito feliz, na verdade.

Tinha certeza que em dois ou três dias

Você estaria de volta.

 

A conversa se alongou.

Te contei tudo que acontecia,

E você, tão atenta, escutava

Como quem guarda

As últimas palavras de um tempo bom.

Sorriu tanto pra mim

Naquele dia…

 

Depois de tanto te paparicar,

Chegou a hora de descer.

Com esforço, me abençoou.

Foi o suficiente

Pra eu sair dali

Pulando de alegria.

Me despedi, te mandei um beijo —

E, dessa vez,

Você me mandou outro de volta.

 

Saí daquele quarto

A pessoa mais feliz do mundo.

Literalmente, pulando de alegria,

Porque achei que teria você de volta

Em casa…

 

Mas aquele foi o último beijo.

A última bênção.

O últi

mo domingo.

E agora, todas as nuvens

Parecem guardar teu nome.

 

 

 


Créditos na imagem de capa: Fonte — Bing Imagens, imagem hospedada em Alpha Coders (https://images.alphacoders.com/779/779314.jpg).