A sensação de ser engolida pelos próprios sentimentos

é sufocante.

 

Tira o eixo.

Arranca o chão.

Arranca você

de você.

 

A noite não escurece

ela queima.

 

Qualquer palavra

vira fósforo.

 

E você não explode.

Você acende.

 

As frases saem em brasa,

atingem quem estava perto demais,

quem não merecia incêndio

mas virou combustível.

 

Você vê.

Você sabe.

 

E mesmo assim queima.

 

Depois sobra o gosto.

Cinza.

Ferro.

Culpa.

Sangue na língua.

 

O silêncio não consola.

Ele pesa.

Ele aponta.

 

Porque a tempestade não mora no mundo.

Mora em você.

 

E o pior não é o fogo.

 

É perceber

que, no fundo,

há algo em você

que gosta de ver arder.

 

E que um dia

quando não restar ninguém por perto

não será o mundo

em chamas.

 

Será só você

sozinha

ardendo

por dentro.

 

 

 


Créditos na imagem de capa: Inteligência artificial