HH Magazine
Poesia

Sem Pedir Licença

Sem Pedir Licença

Nesta semana,

eu perdi

um pedaço de mim.

Uma parte que,

sinceramente,

eu nunca imaginei

ser tão essencial

à minha sobrevivência.

 

Nunca foi sobre cargo.

Nunca foi

sobre reconhecimento.

Muito menos

sobre ser maior

do que alguém,

como tantos insistem

em acreditar.

 

Nunca foi sobre mim.

Sempre foi

sobre um chamado.

Sobre uma escolha

que abracei

sem nunca

me arrepender.

 

Era ali

que minha alma

aprendia

a respirar.

Era a coisa

mais bonita

que existia em mim.

Ali,

eu nunca precisei

provar quem era.

Bastava servir.

 

Descobriram,

porém,

que existe uma forma

de matar alguém

sem interromper

os seus batimentos.

Basta arrancar

o único lugar

onde ela ainda

se sentia inteira.

 

O mais difícil

não foi

perder o lugar.

Foi descobrir

que, para alguém,

a minha presença

já era

um incômodo

muito antes

da despedida.

 

E, pela primeira vez,

não duvidei

do meu chamado.

Duvidei

de mim.

 

Parte de mim

ficou

naquela sala.

E ninguém

percebeu.

 

 

 


Créditos na imagem de capa: IA

Related posts

muda

Adriano Menezes
7 anos ago

Medo

Amosse Mucavele
3 anos ago

A solicitude do exílio

Sarah Rocha
5 anos ago
Sair da versão mobile