Sem Pedir Licença
Nesta semana,
eu perdi
um pedaço de mim.
Uma parte que,
sinceramente,
eu nunca imaginei
ser tão essencial
à minha sobrevivência.
Nunca foi sobre cargo.
Nunca foi
sobre reconhecimento.
Muito menos
sobre ser maior
do que alguém,
como tantos insistem
em acreditar.
Nunca foi sobre mim.
Sempre foi
sobre um chamado.
Sobre uma escolha
que abracei
sem nunca
me arrepender.
Era ali
que minha alma
aprendia
a respirar.
Era a coisa
mais bonita
que existia em mim.
Ali,
eu nunca precisei
provar quem era.
Bastava servir.
Descobriram,
porém,
que existe uma forma
de matar alguém
sem interromper
os seus batimentos.
Basta arrancar
o único lugar
onde ela ainda
se sentia inteira.
O mais difícil
não foi
perder o lugar.
Foi descobrir
que, para alguém,
a minha presença
já era
um incômodo
muito antes
da despedida.
E, pela primeira vez,
não duvidei
do meu chamado.
Duvidei
de mim.
Parte de mim
ficou
naquela sala.
E ninguém
percebeu.
Créditos na imagem de capa: IA
Sem Pedir Licença
Wivila Pereira
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História da Historiografia: International
Journal of Theory and History of Historiography
ISSN: 1983-9928
Qualis Periódiocos:
A1 História / A2 Filosofia
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