A sensação de ser engolida pelos próprios sentimentos
é sufocante.
Tira o eixo.
Arranca o chão.
Arranca você
de você.
A noite não escurece
ela queima.
Qualquer palavra
vira fósforo.
E você não explode.
Você acende.
As frases saem em brasa,
atingem quem estava perto demais,
quem não merecia incêndio
mas virou combustível.
Você vê.
Você sabe.
E mesmo assim queima.
Depois sobra o gosto.
Cinza.
Ferro.
Culpa.
Sangue na língua.
O silêncio não consola.
Ele pesa.
Ele aponta.
Porque a tempestade não mora no mundo.
Mora em você.
E o pior não é o fogo.
É perceber
que, no fundo,
há algo em você
que gosta de ver arder.
E que um dia
quando não restar ninguém por perto
não será o mundo
em chamas.
Será só você
sozinha
ardendo
por dentro.
Créditos na imagem de capa: Inteligência artificial
Wivila Pereira
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História da Historiografia: International
Journal of Theory and History of Historiography
ISSN: 1983-9928
Qualis Periódiocos:
A1 História / A2 Filosofia
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