Livraria Violette and Co., número 52 da rua Jean-Pierre Timbaud, no onzième arrondissement de Paris. Um espaço de livros notadamente conhecido pelo foco em questões feministas e LGBTQIA+. Noite de quinta-feira, 23 de abril: ocasião do rencontre em torno do livro Mémoires des années de jeune fille d’un homme (“Memórias dos anos de menina de um homem”, em uma tradução estritamente literal), assinado por N. O. Body. O pequeno ambiente reservado para a sessão ficou pequeno diante do público que compareceu ao evento. Muitas pessoas tiveram que acompanhar apenas o áudio no subsolo da livraria, outras permaneceram na calçada ao lado de fora. Mais do que o desconhecido autor das memórias, talvez tenha sido o escritor do posfácio e principal convidado do encontro o motivo principal para grande afluência. Tratava-se do filósofo espanhol e especialista em teoria queer Paul B. Preciado.

As Mémoires foram lançadas oficialmente em meados de março deste ano, pela prestigiosa coleção “La librarie du XXIe siècle” da editora francesa Seuil. Publicado originalmente na Alemanha em 1907, com o título Aus eines Mannes Mädchenjahren (literalmente “Dos anos de menina de um homem”), o livro contou com sete reedições naquele mesmo ano, sendo ainda transformado em dois filmes na década seguinte, antes de enfrentar um longo período de considerável esquecimento. Foi apenas no final do século passado que outras edições em alemão e a tradução para o inglês trouxeram novamente o texto para as discussões contemporâneas. Com a tradução recém-lançada, são agora as leitoras e leitores franceses os convidados a intervir no debate público.

Preciado estava acompanhado por Vanasay Khamphommala, artista e performer que atuou em Orlando, a cinebiografia do filósofo lançada em 2023. Em cerca de duas horas de conversa, foi possível acompanhar a verve política e a densidade teórica da reflexão daquela que é, sem dúvidas, uma das vozes mais relevantes nos estudos de gênero e nos debates queer na atualidade. Fluente na língua francesa, a ponto de serem perceptíveis certos cacoetes em sua fala, marcada ainda por um reconhecível sotaque espanhol, Preciado comentou a respeito da importância da sua publicação na França e dos efeitos que aquele curioso e centenário texto nos causa hoje. Assinado por um pseudônimo significativo, as iniciais N. O. seguidas pelo sobrenome Body acabam por indicar um evidente duplo sentido: ao mesmo tempo “ninguém” (nobody) e “sem corpo” (no body). Além disso, sem o nome próprio indicado (algo que apenas será revelado ao longo da leitura das memórias, o N remetendo a Nora e a Norbert, conforme o contexto da escrita), o texto oculta conscientemente o gênero de quem o escreveu. Como o filósofo ressalta, trata-se de uma escrita do “corpo” (Body).

É inegável a força política da fala de Preciado, que impressiona ainda pela capacidade de expor um argumento de forma clara e contundente, sustentado em referências teóricas sólidas e em uma notável erudição histórica a respeito do tema. Obviamente, isso não significa que suas colocações são imunes à crítica, já que é justamente ao debate público em torno da construção de uma nova epistemologia e de outra compreensão de subjetividade que ele vem há tempos dedicando seus esforços. Uma de suas mais impressionantes intervenções certamente foi aquela em 2019, diante de alguns milhares de psicanalistas reunidos nas jornadas internacionais organizadas pela École de la Cause Freudienne de Paris, transformada em livro no ano seguinte com o título Je suis un monstre qui vous parle (Eu sou um monstro que vos fala).

Naquela quinta-feira ensolarada de abril, num espaço propício para tanto, o público muito menor e certamente menos antagônico do que aquele de 2019 pôde conhecer quem foi Body, o ambiente social em que suas Mémoires foram publicadas e o contexto das discussões sobre sexualidade no qual esteve inserido, graças à atuação do sexólogo alemão Magnus Hirschfeld, um dos principais responsáveis pela mudança da designação de sexo de Body e principal incentivador para que escrevesse suas memórias.

Hirschfeld havia fundado em 1897 o Wissenschaftilch-humanitäres Komitee (Comitê científico-humanitário), atuando intensamente em defesa da revogação das leis que criminalizavam a homossexualidade na Alemanha. O Comitê foi o embrião para a criação, em 1919, do Institut für Sexualwissenschaft (Instituto para os estudos sobre sexualidade). Para Preciado, trata-se da principal referência na virada do século XIX para o XX nos estudos sobre a sexualidade, formando uma espécie de contraponto teórico e prático à psicanálise freudiana.

Ecoando criticamente a posição de Michel Foucault a respeito do “verdadeiro sexo” (algumas matérias de divulgação do livro apontam que ele escreve com e contra Foucault), Preciado convida a ir além da compreensão binária dos sexos, para ele equivocadamente redutora e inaceitavelmente opressiva. A necessidade de se afirmar um sexo verdadeiro para os indivíduos, designando desde seu nascimento a posição entre os tipos binários a que deve pertencer (se masculino ou feminino), nada mais é que uma forma física e simbólica de coerção, além de uma clara violência epistêmica. Daí suas reservas em relação às teorias psicanalíticas e sua ojeriza diante do discurso médico-jurídico que buscam prescrever as identidades sexuais das pessoas a partir da norma binária estabelecida sobretudo no século XIX.

Para o filósofo, a leitura das memórias de Body não deve ser feita tendo por objetivo simplesmente reconhecer qual era, efetivamente, seu verdadeiro sexo ou apenas identificar, ao fim e ao cabo, qual a posição adequada que ele deveria ocupar na sociedade. Eis porque Preciado busca também tomar distância em relação à um tipo de historiografia preocupada unicamente em estabelecer a verdade dos fatos, sem atentar para os sentidos mais amplos que estes mesmos fatos produzem. Por isso, sua fala se apresentou também naquele momento como uma espécie de revolta contra a disciplina historiográfica e seu apego a uma certa ideia de verdade histórica. Precisamos, em suas palavras, “exorcizar a historiografia” de nós mesmos. O uso do termo certamente não é ingênuo e, para além de um mero tom polemista, a provocação em relação a historiadores e historiadoras ganha ressonância quando a situamos diante do imbróglio teórico e editorial no qual o lançamento das Mémoires de Body esteve envolvido.

Livraria Tschann, número 125 do boulevard du Montparnasse, não muito longe do cemitério onde se encontra o túmulo de Simone de Beauvoir. Meados de março. Sorrateiramente inserida nos volumes ali à venda das recém-lançadas memórias de N. O. Body, uma nota indicava algo inusitado: aquela obra havia sido originalmente traduzida pela historiadora Sonia Comb, com um prefácio escrito por ela, o qual foi retirado da versão final da edição, que contava agora com nova tradução de Béatrice Masoni. A nota, uma iniciativa do próprio livreiro e não uma espécie de errata formal da editora, trazia ainda um link onde o leitor curioso ou a leitora interessada poderiam acessar o texto de Comb, bem como sua tradução não publicada.

Antes mesmo de seu lançamento, portanto, as Mémoires já foram envoltas por uma polêmica que, se à primeira vista aponta para uma delicada controvérsia editorial, revela também uma situação de desencontro entre as formas de se encarar uma determinada experiência histórica, opondo, de um lado, a historiografia social e, de outro, os estudos de gênero e a teoria queer. Esta, como se viu, devendo operar um verdadeiro exorcismo contra aquela. Em 6 de março, alguns dias antes do lançamento oficial da obra, Comb, especialista em história alemã contemporânea, lançou em seu blog pessoal uma carta revelando alguns dos bastidores da publicação, assinada em Berlim e com data de 26 de fevereiro. Com um título que manifestava um claro tom acusatório, procurou mostrar “como se pode ser enganado(a) e espoliado(a) em seu trabalho por uma editora”.

Ressaltando os riscos midiáticos e, sobretudo, jurídicos que corria, Comb considerava que, no entanto, não era possível se calar em uma tal situação. Conforme afirma a autora, para muitas editoras o livro não é nada além de um objeto de consumo, e aquele era um caso em que isso ficava mais do que evidente: “apenas as cifras contam”. Além disso, como havia lhe sugerido um amigo livreiro, por vezes alguns autores “bancáveis” (bankables) acreditam poder tudo, a despeito das consequências de seus atos. Seu texto, portanto, era uma forma de prestação de contas de um impasse no qual estava voluntária ou involuntariamente envolvida.

O fato é que no final do mês de setembro de 2024, segundo nos conta a historiadora, ela foi contactada por uma grande editora francesa para publicar sua tradução do texto de N. O. Body, que seria acompanhada por uma “apresentação/contextualização” na forma de um prefácio escrito por ela mesma. O interesse editorial foi despertado depois que Comb publicou em 2022, no site En Attendant Nadeau, um breve texto sobre uma nova edição alemã das Mémoires, a cargo do historiador Hermann Simon. A previsão para o volume chegar às lojas era março de 2025. Pouco depois, foi informada que um posfácio havia sido também encomendado a um filósofo especialista em estudos de gênero e teoria queer. Por prudência jurídica, ela não o nomeia, mas sabemos hoje se tratar de Paul B. Preciado. Em janeiro de 2025, o contrato foi assinado. Passados alguns meses do prazo previsto para a publicação, Comb é contactada por alguém da editora, uma pessoa também não nomeada, mas que tudo indica ser a diretora da coleção, Christine Marcandier, cumprimentando-a pela excelente tradução e pelo ótimo texto de “apresentação/contextualização”. No entanto, a publicação ainda tardaria, pois o posfácio não havia chegado.

Em outubro de 2025, nos últimos momentos dos trabalhos de revisão, chegou finalmente o texto de Preciado, com uma extensão muito maior do que a prevista, praticamente a mesma das memórias que deveriam ser o objeto principal da publicação. Para além de um posfácio, afirma a historiadora, aquilo era verdadeiramente um “ensaio”. Em novembro, revisando o volume completo, Comb indicou algumas imprecisões factuais no texto do filósofo e sugeriu que uma nota de rodapé fosse retirada. Em dezembro, chegou-lhe mensagem da editora e a surpresa foi grande: a nota ficaria e era o seu prefácio que seria suprimido, mantendo-se sua tradução. “Fiquei perplexa. Eu trago um projeto pronto e eis que sou excluída dele!”, exclamou com indignação a historiadora. Ela então perguntou a razão da escolha: segundo a editora, haveria como que uma dissonância ou contradição entre seu texto, que abriria o volume, e o posfácio de Preciado, pois um dos argumentos do autor, neste caso escrevendo com Foucault, era o de que o “dispositivo” da introdução seria uma forma de violência epistêmica contra o texto de Body, mais um dos inúmeros discursos que de alguma forma tentam prescrever uma identidade sexual a ele, encobrindo-o sob as malhas do poder disciplinar.

É neste ponto que o teor daquela nota que Comb havia sugerido a supressão ganha relevância. É preciso situá-la no texto. Logo no início de seu ensaio, Preciado comentava a respeito do estatuto dos saberes não binários produzidos por aqueles que define como “dissidentes da atribuição do sexo binário” (dissidents de l’assignation du sexe binaire), categoria na qual ele próprio se situa. Logo em seguida, afirma de forma contundente: “nossas histórias, quando são contadas por nós mesmos, não possuem nenhum valor. É preciso que os médicos e os historiadores venham validá-las, interpretá-las, apagá-las, reescrevê-las, fazer delas as chaves de suas próprias teorias jurídicas, científicas, sociológicas, filosóficas”. É justamente após este trecho que a nota é inserida e nela se lê: “mesmo após a virada política introduzida pela crítica intersexo e trans contra os discursos médicos jurídicos e contra a história binária do sexo e da sexualidade, a última edição alemã do texto julgou necessário incluir novamente duas expertises cis, aquela de uma historiadora da medicina e ela própria médica […], assim como aquela de um jurista […]”.

O recado estava dado: ainda que a nota não se referisse explicitamente a Comb, a introdução da historiadora não teria cabimento naquele contexto, estava em desacordo com o momento atual da crítica, era uma volta não pertinente na virada política dos debates. Sobretudo, ela própria não caberia ali, enquanto uma pessoa cis, comentando o texto de uma pessoa que hoje é chamada de trans; seriam identidades aparentemente conflitantes. A dissonância identificada pela editora residia precisamente ali, na distância entre um texto historiográfico que buscava contextualizar e, em certa medida, dar sentido histórico às memórias de N. O. Body, e um texto que teorizava criticamente sobre os significados da experiência trans ontem e hoje, criticando os sentidos que normalmente lhe são expostos desde fora, em uma relação de poder opressiva e não aceitável. Seria, portanto, uma contradição manter um prefácio (cis) cujos efeitos seriam logo depois refutados pelo posfácio (trans). A escolha precisava ser feita e a opção foi aquela que, nas palavras da historiadora, simplesmente valorizava um “autor bancável”. O cálculo do lucro teria imperado sozinho na decisão, desconsiderando, evidentemente, as implicações teóricas da escolha editorial. Ao final de sua carta-acusação, Comb não poupou palavras: “reencontramos o senso masculino da partilha, à mulher o trabalho na sombra, ao homem à luz”.

Diante da escolha editorial, Comb resolve abdicar do contrato, retirando também sua tradução do material oferecido. Passou, então, a buscar outra casa editorial para abrigar seu projeto. Já a editora, que havia anunciado o lançamento para março e considerando que as memórias já estavam em domínio público, apressou uma nova tradução para que o volume pudesse chegar às prateleiras no tempo previsto, o que de fato ocorreu. À historiadora não restava mais nenhuma opção, pois dificilmente sua tradução seria acolhida quando outra havia sido recém-lançada. Afinal, todo o pano de fundo da discussão não era tanto a disputa de tradução, mas sim os significados históricos e políticos daquelas memórias. Sem outra possibilidade de prosseguir com seus planos editoriais, resolveu disponibilizar em um site o resultado de seu trabalho de tradução, bem como o prefácio assinado por ela.

A manifestação de Sonia Comb não passou despercebida. Uma carta assinada conjuntamente pelo escritor Henri Raczymow, pelo ex-editor Richard Figuier e por Yannick Poirier, livreiro da Librairie Tschann, chegou a acusar a editora Seuil de censura. O assunto ganhou ainda as páginas de dois dos principais meios de comunicação na França. Em 27 de março a revista Nouvel Obs publicou um texto sobre o caso, seguido em 16 de abril por matéria de página inteira publicada no Le Monde Livres. A partir daí conseguimos ter uma compreensão mais ampliada do que estava em jogo. Comb confessa, enquanto mulher cis, ter se sentido atingida pela referida nota do texto de Preciado, indagando provocativamente: se uma pessoa cis não pode falar sobre uma pessoa trans, que direito teria um não-judeu de falar sobre uma pessoa judia? “Bobagem, bobagem e meia” (a bêtise, bêtise et démie!), retrucou ela. O relato do Nouvel Obs informa também que haveria ainda uma crítica da editora Christine Marcandier à tradução feita pela historiadora, salientando problemas terminológicos nas escolhas feitas por ela pelo fato de não ser uma especialista em estudos de gênero.

Paul B. Preciado é instado a se manifestar, afinal ele também foi, ainda que indiretamente, objeto da acusação de espoliação lançada por Comb. Para o filósofo, sua perspectiva teórica é de tal maneira distinta daquela da historiadora, a qual se situa, segundo ele, plenamente em uma epistemologia binária do sexo, que seria algo impossível que uma tal espoliação tivesse ocorrido. A ênfase dada por ela à anatomia do sexo, “como se fosse preciso sempre remeter as pessoas não binárias e intersexuais aos seus órgãos [sexuais]”, era para ele uma verdadeira “violência”. Ressaltando que Comb não seria a proprietária de um texto que já era de amplo conhecimento entre estudiosos e teóricos do gênero, Preciado contra-ataca, afirmando que “é ela que espolia a história das pessoas trans, intersexo e não binárias”. Entre a historiadora e o teórico queer, o diálogo parecia assim inviável.

A virulência das acusações pessoais, no entanto, demonstra algo que vai além das personalidades de ambos e incide no âmbito mais vasto dos dois campos em disputa, a historiografia e a teoria queer. A matéria no Le Monde permite perceber a distância entre ambos no interior dessa controvérsia, pelo menos segundo as partes envolvidas. Se Preciado considerou o olhar binário de Comb sobre as memórias escritas no começo do século XX como uma violência, a historiadora contestou tal acusação a partir das diretrizes de seu próprio ofício, da maneira como ela o entende: “não lemos o passado com os olhos de hoje! Para compreender essa descrição anatômica, é preciso se colocar no contexto da época. N. O. Body demandou sua mudança de estado civil. É preciso descrever seu sexo para que o tribunal acolha sua demanda”. Segundo ela, para compreender a experiência de Body no início do século XX, Preciado teria projetado sua própria experiência individual do início do XXI, gesto metodologicamente duvidoso ao qual a matéria do jornal acrescenta a perigosa palavra “anacronismo”.

Assim, por um lado, o teórico considera que “Sonia Comb não conhece nem a história da sexualidade, nem os textos fundamentais da história intersexo e trans”, fato que, de resto, ela própria o admite. Por outro, a historiadora não deixa de defender sua expertise, afirmando que “remeter-se ao contexto de uma época é minha especialidade como historiadora. Nem Mme. Marcandier, nem M. Preciado possuem, evidentemente, essa faculdade (faculté)”. O debate parece assim sugerir campos inconciliáveis em disputa, definindo a necessidade de uma escolha: ou uma teoria proveitosa politicamente, mas que descontextualizaria a experiência, cedendo aos encantos nocivos do anacronismo, ou um tipo de historiografia ciosa das diferenças e distâncias que nos separam do passado, sem condições, porém, de compreender plenamente as questões políticas envolvidas naquela experiência histórica.

Todavia, nem tudo é assim tão dicotômico e o tema pode, de fato, ser matizado com outras formas de encarar a situação. Para Jean-Claude Monod, filósofo político e editor da coleção “L’ordre philosophique” na própria Seuil, “as duas abordagens têm sua legitimidade para falar deste texto. O olhar dos especialistas em gênero levanta questões inéditas que acompanham uma nova sensibilidade, mas isso se faz às vezes em detrimento da história política e social”. Já a historiadora Michelle Zancarini-Fournel, pesquisadora da história das mulheres e dos movimentos populares, considera que “certos setores dos feminismos e dos estudos de gênero atuais tendem a afastar a história social do trabalho e as relações de exploração para se interessar apenas pelo sentimento de uma categoria particular”, acrescentando que isso “não invalida o recurso necessário às perspectivas interseccionais e às abordagens políticas do corpo”. Diante dessas posturas mediadoras (ou conciliatórias?) que não resolvem necessariamente o impasse, como situar os dois textos em disputa, o prefácio historiográfico e o posfácio teórico? Desenvolverei o argumento na segunda parte deste texto.

* Fernando Nicolazzi. Professor do Departamento de História da UFRGS, membro do Laboratório de Estudos sobre os Usos Políticos do Passado (LUPPA) e pesquisador convidado na Université Paris 8 Vincennes-Saint Denis. Este artigo é resultado de pesquisas desenvolvidas a partir do projeto CAPES-COFECUB “Historiografia e historiadoras/es em uma era de transições: perspectivas franco-brasileiras”, sob coordenação de Armelle Enders (Université Paris-8) e Temístocles Cezar (UFRGS). Financiamento: CAPES. Agradeço as leituras atentas e aos comentários críticos feitos por Aline Michelini Menoncello e Caroline Silveira Bauer. O título, inclusive, foi inspirado em mais um dos achados da Caroline nessa história toda.

 

 

 


REFERÊNCIAS

BODY, N. O. Mémoires des années de jeune fille d’un homme, suivi de Mon nom est Body, de Paul B. Preciado. Collction “Librarie du XXIe siècle”. Paris: Seuil, 2026.

COMB, Sonia. “Comment on peut-on être trompé(e) et spolié(e) de son travail par une maison d’édition”. Le Club de Mediapart, 6 de março de 2026. Disponível em https://blogs.mediapart.fr/sonia-combe/blog/060326/comment-peut-etre-trompee-et-spoliee-de-son-travail-par-une-maison-d-edition (acesso em 25 de abril de 2026).

FAVRET-SAADA, Jeanne. L’impossible famille Rivière. Retour sur un triple meutre en 1835. Paris: Gallimard, 2026.

FOUCAULT, Michel. Les hermaphrodites. Paris: Gallimard, 2025.

Herculine Barbin dite Alexine B. Présenté para Michel Foucault. Les vies parallèles. Paris: NRF, Gallimard, 1978.

Herculine Barbin dite Alexine B. Présenté para Michel Foucault. Paris: Gallimard, 2014.

Moi, Pierre Rivière, ayant égorge ma mère, ma soeur et mon frère… Un cas e parricide au XIXe si`cle présenté para Michel Foucault. Collection Archives (dirigée par Pierre Nora et Jacques Revel. Paris: Éditions Gallimard/Julliard, 1973.

PRECIADO, Paul B. Je suis un monstre qui vous parle. Rappor pour une académie de psychanalistes. Paris: Grasset, 2020.

RACZYMOW, Henri; FIGUIER, Richard; POIRIER, Yannick. “Le Seuil et la censure”. Le Club de Mediapart, 1º de abril de 2026. Disponível em https://blogs.mediapart.fr/sonia-combe/blog/010426/le-seuil-et-la-censure-0 (acesso em 25 de abril de 2026).

 

 

 


Créditos na imagem de capa: Paul B. Preciado e Vanasay Khamphommala la livraria Violette & Co, 23 de abril de 2026 (foto do autor).